Brasil · 3 de abril de 2026

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Direitos do Cidadão

Cobrança extrajudicial abusiva pode gerar indenização; veja o que fazer

Cobrança extrajudicial abusiva pode gerar indenização; veja o que fazer Imagem gerada por IA
A cobrança abusiva é proibida pela legislação brasileira, principalmente pelo Código de Defesa do Consumidor

A cobrança abusiva ocorre quando empresas, bancos ou escritórios ultrapassam os limites legais ao tentar receber uma dívida. Embora cobrar um débito seja um direito do credor, a legislação brasileira estabelece regras claras sobre como essa cobrança deve ser feita — e o descumprimento dessas regras pode gerar até indenização por danos morais.

Na prática, a cobrança abusiva acontece quando o consumidor sofre pressão excessiva, constrangimento, ameaça ou exposição indevida. Situações como ligações insistentes, mensagens agressivas ou contato com terceiros são exemplos comuns.

O ponto central é simples: a dívida pode existir, mas o abuso nunca é permitido. Quando a cobrança ultrapassa o limite do respeito, ela deixa de ser legítima e passa a violar direitos do consumidor.

O que diz a lei sobre cobrança abusiva

A cobrança abusiva é proibida pela legislação brasileira, principalmente pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990).

O artigo 42 do CDC determina que o consumidor inadimplente não pode ser exposto ao ridículo nem submetido a constrangimento ou ameaça. Esse é o principal fundamento jurídico para caracterizar uma cobrança como abusiva.

Além disso, o artigo 71 do CDC vai além e define como crime o uso de ameaça, coação ou qualquer prática que exponha o consumidor de forma indevida durante a cobrança.

Outro ponto relevante está no artigo 187 do Código Civil, que trata do abuso de direito — quando alguém exerce um direito de forma excessiva, violando a boa-fé.

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Na prática, isso significa que a cobrança abusiva pode gerar tanto responsabilidade civil (indenização) quanto responsabilidade criminal, dependendo da situação.

Situações que caracterizam cobrança abusiva

A cobrança abusiva pode ocorrer de várias formas, muitas vezes disfarçada de prática comum de mercado. No entanto, algumas condutas já são amplamente reconhecidas como ilegais.

Uma das mais frequentes é o excesso de ligações, especialmente quando ocorre de forma insistente, repetitiva ou em horários inadequados.

Outra prática proibida é o contato com terceiros, como familiares ou colegas de trabalho, para cobrar a dívida. Isso viola diretamente a privacidade do consumidor.

Também é comum o uso de ameaças ilegais, como prisão, bloqueio imediato de contas ou perda de bens sem decisão judicial. Essas abordagens são enganosas e configuram abuso.

Mensagens com linguagem agressiva, exposição pública da dívida ou pressão psicológica intensa também são exemplos claros de cobrança abusiva.

Além disso, a cobrança de dívida inexistente ou já paga é considerada uma das formas mais graves de abuso, podendo gerar direito à restituição em dobro, conforme o CDC.

Cobrança abusiva pode gerar indenização?

Sim. A cobrança abusiva pode gerar indenização por danos morais, especialmente quando há violação da dignidade, privacidade ou tranquilidade do consumidor.

A jurisprudência brasileira entende que práticas abusivas de cobrança, como excesso de contatos ou exposição indevida, são suficientes para justificar reparação.

O valor da indenização depende da gravidade da conduta, da frequência do abuso e do impacto causado. Em geral, a Justiça busca não apenas compensar o consumidor, mas também inibir a repetição da prática pela empresa.

O que fazer ao sofrer cobrança abusiva

Diante de uma cobrança abusiva, o consumidor deve agir de forma estratégica.

O primeiro passo é guardar provas. Registros de chamadas, prints de mensagens e e-mails são fundamentais para comprovar o abuso.

Em seguida, é importante formalizar uma reclamação em órgãos como o Procon ou na plataforma consumidor.gov.br.

Se a prática continuar, o consumidor pode procurar um advogado e ingressar com ação judicial. Nesses casos, é possível pedir a interrupção da cobrança abusiva e também indenização por danos morais.

Outro ponto essencial é não ceder à pressão. Decisões tomadas sob ameaça ou constrangimento podem gerar prejuízos ainda maiores.

A diferença está na forma.

A cobrança legal é feita com respeito, transparência e equilíbrio, limitando-se a informar a dívida e oferecer negociação.

Já a cobrança abusiva utiliza pressão, intimidação ou constrangimento como estratégia.

Essa distinção é fundamental, pois muitos consumidores acabam normalizando práticas ilegais por falta de informação.

Como se proteger de cobrança abusiva

Evitar a cobrança abusiva também passa por prevenção.

Manter registros de pagamentos, acompanhar dívidas e desconfiar de contatos agressivos são atitudes importantes.

O consumidor também deve sempre exigir comprovação da dívida antes de qualquer pagamento.

Conhecer os próprios direitos é a melhor forma de evitar abusos e agir rapidamente quando eles acontecem.

Perguntas frequentes

Gabriel Vital
Escrito por Gabriel Vital Criador e editor do Brasil em Regra

Servidor público, graduado em Comunicação Social - Jornalismo, especialista em Big Data e Marketing, Gestão Pública e Criminologia. Criador do Brasil em Regra e do aplicativo Pulso

MTB 0080859/SP